Principal reservatório da Grande São Paulo fechou junho com menos de 40% do volume útil, o nível mais baixo em quatro anos para o início de julho.
O principal manancial de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, que leva água a milhões de pessoas em Barueri, Alphaville e outras cidades da grande capital, passou a operar em faixa de alerta a partir de 1º de julho. O Sistema Cantareira fechou junho com 39,87% do volume útil, abaixo do limite de 40% que aciona automaticamente uma redução na captação autorizada pela Sabesp. A companhia garante que não há previsão de racionamento imediato, mas o episódio levanta perguntas legítimas entre moradores da região sobre o que esperar para os próximos meses.
Por que o nível caiu tão rápido neste ano
Os números mostram uma trajetória de queda consistente ao longo do primeiro semestre. O sistema começou 2026 com 22,69% do volume útil, avançou para 35,78% em fevereiro e chegou a 43,65% em março, impulsionado pelas chuvas do período. A partir daí, porém, perdeu força: recuou para 42,52% em abril, 40,33% em maio e, finalmente, para os 39,87% que colocaram o Cantareira na faixa de alerta em junho. A explicação está em um semestre de chuvas mais fracas do que o esperado, combinado com o início de uma estação seca que naturalmente reduz a capacidade de recomposição dos reservatórios.
Para tentar equilibrar a situação, os órgãos gestores do sistema, incluindo a Agência Nacional de Águas e a SP Águas, reforçaram temporariamente a transferência de água do rio Jaguari para o reservatório Atibainha, estrutura que opera desde 2018 e que passou a ter volume ampliado até o fim do ano. A medida ajuda a dar mais segurança ao abastecimento, mas não substitui a chuva nem elimina a necessidade de economia por parte da população.
O que muda no dia a dia de quem depende do Cantareira
Por enquanto, a entrada na faixa de alerta é um dado técnico e operacional: a Sabesp passa a ter um limite menor de captação diária autorizada, hoje fixado em até 27 metros cúbicos por segundo. Não há, até o momento, anúncio de rodízio ou de corte no fornecimento para bairros específicos. Ainda assim, a companhia orienta que os cerca de 9 milhões de moradores que dependem direta ou indiretamente do Cantareira adotem hábitos de consumo mais conscientes, evitando desperdícios em tarefas domésticas simples, como lavar veículos ou calçadas com mangueira.
Especialistas em recursos hídricos evitam comparar o momento atual com a crise de 2014 e 2015, quando o sistema chegou a operar com volumes negativos e o risco de desabastecimento se tornou concreto para milhões de pessoas. A diferença central é que, mesmo com o alerta, o primeiro semestre de 2026 ainda fechou com mais água entrando nos reservatórios do que saindo para abastecimento, o que indica uma situação de atenção, mas não de colapso iminente.
O que esperar para os próximos meses
O período mais crítico para reservatórios como o Cantareira costuma se concentrar entre julho e outubro, quando as chuvas de inverno são naturalmente mais escassas em São Paulo. Caso o volume continue em queda, a Sabesp pode adotar medidas adicionais de gestão de demanda, como descontos na conta de água para clientes que reduzirem o consumo ou restrições mais severas para usos considerados não essenciais. A companhia e os órgãos reguladores mantêm o monitoramento contínuo dos sete reservatórios interligados que compõem o sistema de abastecimento do estado, e novas atualizações sobre o nível do Cantareira devem ser divulgadas ao longo dos próximos meses conforme o comportamento das chuvas.
Fontes consultadas: CNN Brasil, Tempo.com, TV Brasil
