Para Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, entre as práticas integrativas utilizadas há séculos em diferentes culturas para alívio de dores e promoção de bem-estar, a argiloterapia é uma das que mais tem despertado interesse científico nas últimas décadas. Para o idoso que convive com dor articular crônica, circulação comprometida ou simplesmente com o desejo de encontrar formas acessíveis de cuidado complementar, entender o que a argila pode oferecer é uma informação que chega com muito menos frequência do que deveria.
Neste guia, abordaremos o que essa prática produz e para quem ela é indicada. Confira!
O que a argila é e por que tem propriedades terapêuticas?
A argila é um mineral de origem natural, composto principalmente por silicatos de alumínio hidratados, com quantidades variáveis de outros minerais, como cálcio, magnésio, ferro, potássio e zinco, dependendo de sua origem geológica. Essa composição mineral específica confere à argila propriedades que a tornam clinicamente interessante: capacidade de absorção de toxinas e substâncias inflamatórias, propriedades anti-inflamatórias e antimicrobianas documentadas e capacidade de reter e transmitir calor de forma gradual e homogênea, o que a torna particularmente eficaz como veículo de termoterapia.
Como detalha Yuri Silva Portela, a aplicação de argila aquecida sobre articulações dolorosas combina o efeito anti-inflamatório dos minerais com o efeito analgésico do calor aplicado de forma sustentada e uniforme. De fato, esse mecanismo duplo explica por que estudos clínicos com pacientes com osteoartrite de joelho e mãos demonstram redução significativa da dor e da rigidez matinal após ciclos regulares de aplicação de argila, com efeitos que persistem por semanas após o término do tratamento.
Circulação, edema e o que a argila faz nos membros inferiores
A insuficiência venosa crônica e o edema de membros inferiores são condições extremamente prevalentes no idoso e que respondem bem a abordagens que combinam compressão, elevação e estimulação circulatória. Com efeito, a aplicação de argila nas pernas, seguida de envolvimento com ataduras ou bandagens por períodos determinados, produz um efeito de compressão e estimulação da parede venosa que favorece o retorno venoso e reduz o acúmulo de líquido nos tecidos.

Na perspectiva de Yuri Silva Portela, a argila verde e a argila branca são as variedades com maior evidência de atividade anti-inflamatória e circulatória, respectivamente, e são as mais indicadas para uso terapêutico em contexto geriátrico. No entanto, a temperatura de aplicação precisa ser cuidadosamente controlada no idoso, especialmente naqueles com neuropatia periférica ou diabetes, pois a redução da sensibilidade ao calor aumenta o risco de queimaduras com temperaturas que seriam toleradas sem dificuldade por adultos jovens.
Bem-estar emocional e o efeito do contato com a terra
Além dos benefícios físicos documentados, a argiloterapia produz efeitos sobre o bem-estar emocional que têm base neurobiológica real. O contato tátil com a argila, sua textura, temperatura e peso, ativa receptores sensoriais cutâneos que transmitem sinais ao sistema nervoso parassimpático, promovendo relaxamento, redução do cortisol e sensação de calma que muitos idosos descrevem como profunda e duradoura.
Conforme aponta Yuri Silva Portela, fundador do projeto social Humaniza Sertão, iniciativa que leva atendimento multidisciplinar gratuito a comunidades carentes em regiões de difícil acesso, há também uma dimensão sensorial e nostálgica nessa prática que tem valor terapêutico específico para populações com vínculos culturais profundos com a terra. Para idosos que cresceram em contato direto com o solo, com a argila do rio e com práticas tradicionais de cura baseadas em elementos naturais, a argiloterapia tem ainda uma dimensão de reconexão identitária que potencializa seus efeitos sobre o bem-estar emocional.
Como utilizar de forma segura em casa?
A argiloterapia pode ser praticada de forma segura em casa com orientação adequada. As argilas de uso cosmético e terapêutico estão disponíveis em farmácias e lojas de produtos naturais. A preparação básica envolve misturar a argila com água mineral até obter uma pasta homogênea, aplicar sobre a região desejada em camada de um a dois centímetros, cobrir com papel filme ou pano úmido e manter por vinte a trinta minutos antes de retirar com água morna.
Yuri Silva Portela sinaliza que idosos com feridas abertas, dermatites ativas ou alterações graves de sensibilidade devem evitar a prática sem orientação médica prévia. Para os demais, a argiloterapia representa uma forma acessível, natural e clinicamente embasada de complementar o cuidado geriátrico com uma prática que o idoso pode incorporar à sua rotina com autonomia e prazer.
