Como CEO da André Guimarães Engenharia e Infraestrutura, Elmar Juan Passos Varjão Bomfim considera que nenhuma obra de grande porte fracassa no dia em que atrasa ou estoura o orçamento. O fracasso, quase sempre, foi plantado meses antes, na fase em que decisões estratégicas foram tomadas às pressas ou simplesmente ignoradas.
O Brasil vive um momento particular nesse debate. O avanço do e-commerce, a reorganização das cadeias logísticas e a chegada de novos investimentos industriais pressionam por obras mais rápidas, complexas e integradas ao território. Nesse contexto, planejar deixou de ser uma formalidade burocrática para se tornar o principal fator de competitividade.
Entender o que realmente determina o sucesso desses empreendimentos exige olhar além do cronograma. Envolve viabilidade, análise de risco, escolha de local, gestão de fornecedores e, sobretudo, a capacidade de tomar boas decisões sob incerteza.
Viabilidade: a pergunta que precede qualquer decisão
Antes de discutir prazos ou fornecedores, todo empreendimento sério começa por uma pergunta incômoda: essa obra faz sentido? O estudo de viabilidade técnica, econômica e ambiental é o filtro que separa projetos promissores de aventuras caras. Ele avalia se as condições do terreno suportam a construção pretendida, se o retorno financeiro justifica o investimento e se as exigências ambientais e legais são compatíveis com o cronograma desejado.
Nesse panorama, Elmar Juan Passos Varjão Bomfim pontua que ignorar essa etapa é a origem de boa parte dos desastres orçamentários do setor. Terrenos com problemas de fundação, licenças subestimadas ou premissas de mercado excessivamente otimistas costumam cobrar seu preço mais adiante, quando corrigir o rumo já é caro demais. Um bom estudo de viabilidade não garante sucesso, mas evita erros irreversíveis.
A localização como decisão estratégica, não geográfica
Escolher onde construir um centro de distribuição ou uma planta industrial vai muito além de encontrar um terreno disponível a bom preço. A localização define custos logísticos, acesso a mão de obra, tempo de entrega e até a percepção de valor do empreendimento. Uma economia inicial na compra do terreno pode se transformar em décadas de custos operacionais elevados.

Elmar Juan Passos Varjão Bomfim destaca que, para empreendimentos logísticos, a proximidade de grandes centros consumidores e a qualidade da malha viária são fatores quase determinantes. Já plantas industriais precisam equilibrar acesso a insumos, disponibilidade energética e questões ambientais. Em ambos os casos, a decisão de localização carrega consequências que se estendem por toda a vida útil do ativo.
Como equilibrar prazo, custo e qualidade sem sacrificar o resultado?
O clássico triângulo da gestão de projetos, formado por prazo, custo e qualidade, continua sendo o coração do planejamento. A dificuldade está em que esses três vértices puxam em direções diferentes. Acelerar o prazo tende a elevar custos; reduzir custos pode comprometer a qualidade; exigir qualidade máxima frequentemente alonga o cronograma. A arte do planejamento é encontrar o equilíbrio possível dentro das restrições reais do projeto.
Elmar Juan Passos Varjão Bomfim aponta que esse equilíbrio depende de um sequenciamento inteligente das atividades. Definir o caminho crítico, ou seja, a sequência de tarefas que não admite atraso sem comprometer a entrega, permite concentrar atenção onde ela realmente importa. Metodologias modernas de planejamento buscam justamente reduzir a variabilidade e criar previsibilidade em um ambiente naturalmente instável.
O fator humano e a gestão de fornecedores
Por mais técnico que seja, todo empreendimento é executado por pessoas e empresas. A gestão de fornecedores, subcontratados e equipes próprias é um dos pontos mais subestimados do planejamento. Um cronograma impecável desmorona diante de um fornecedor que não entrega, de uma equipe mal dimensionada ou de contratos mal amarrados.
Antecipar a cadeia de suprimentos tornou-se ainda mais crítico após os choques logísticos dos últimos anos. Materiais com prazo longo de fabricação precisam ser contratados cedo; alternativas de fornecimento precisam estar mapeadas; e a coordenação entre dezenas de agentes exige uma governança clara. O planejamento, nesse sentido, é também um exercício de articulação humana.
Em suma, Elmar Juan Passos Varjão Bomfim costuma destacar que a previsibilidade de uma obra depende tanto da qualidade técnica do projeto quanto da solidez das relações construídas com quem a executa. Confiança e clareza contratual, nessa visão, são insumos tão importantes quanto cimento e aço.
