Compradores internacionais têm exigido cada vez mais rastreabilidade de origem e certificações socioambientais na carne bovina brasileira, movimento que já reflete diretamente na relação entre pecuaristas, frigoríficos e mercados exportadores. Parajara Moraes Alves Junior, contador especialista em agronegócio, destaca que atender a essas exigências envolve investimentos que precisam ser corretamente planejados e registrados na contabilidade da propriedade. Entende-se, portanto, que compreender esses aspectos representa condição essencial para pecuaristas que buscam acesso a mercados mais exigentes.
Por que a rastreabilidade se tornou exigência de mercado?
Frigoríficos e compradores internacionais exigem cada vez mais informações sobre a origem do gado, incluindo histórico de manejo, uso de terra e cumprimento de exigências ambientais, como forma de garantir a sustentabilidade da cadeia produtiva. Propriedades que não atendem a essas exigências podem perder acesso a determinados compradores. A chamada moratória da soja, embora voltada a outra cultura, ilustra bem como exigências desse tipo podem se espalhar por diferentes cadeias produtivas.
Na avaliação de Parajara Moraes Alves Junior, essa tendência deve se intensificar nos próximos anos, à medida que mercados internacionais adotam regras cada vez mais rigorosas sobre a origem dos produtos importados, fazendo, portanto, com que seja essencial antecipar-se a essas exigências para ter uma vantagem competitiva relevante.
Custos e benefícios da certificação socioambiental
Obter certificações socioambientais envolve custos com auditorias, adequação de processos e, em muitos casos, investimentos em infraestrutura de rastreabilidade, despesas que precisam ser avaliadas em relação ao ganho de acesso a mercados mais valorizados. Nem toda propriedade tem escala suficiente para justificar esse investimento imediatamente. Pequenos pecuaristas costumam se beneficiar de estratégias coletivas, como associações ou cooperativas, para diluir esses custos.
Conforme frisa Parajara Moraes Alves Junior, pecuaristas que avaliam essa relação de custo-benefício com cuidado conseguem decidir com mais segurança se e quando investir em determinada certificação. Além disso, salienta-se a importância de buscar orientação técnica antes dessa decisão, visando evitar investimentos precipitados.

Registro contábil dos investimentos em rastreabilidade
Investimentos em sistemas de rastreabilidade, como identificação eletrônica do rebanho, representam ativo da propriedade e devem ser registrados corretamente na contabilidade, com depreciação ao longo de sua vida útil. Produtores que tratam esses investimentos apenas como despesa pontual distorcem seu resultado.
Como explica Parajara Moraes Alves Junior, registrar corretamente esses investimentos ajuda o produtor a avaliar o retorno financeiro real da certificação ao longo dos anos, comparando o custo total com os ganhos obtidos pelo acesso a mercados diferenciados. Essa análise de retorno orienta decisões futuras sobre expansão da certificação, permitindo assim um processo de crescimento mais saudável e pautado em resultados reais.
Riscos de não atender às exigências de compradores e frigoríficos
Propriedades que não conseguem comprovar rastreabilidade adequada correm o risco de perder contratos com frigoríficos que atendem mercados exportadores mais exigentes, restringindo-se a compradores menos seletivos e, muitas vezes, a preços menos vantajosos. Essa restrição de mercado impacta diretamente a rentabilidade da atividade pecuária.
Nesse ínterim, nota-se que pecuaristas que se antecipam a essas exigências, investindo em rastreabilidade antes que se tornem obrigatórias, garantem acesso privilegiado a compradores dispostos a pagar melhor por essa garantia de origem. Antecipar-se representa vantagem competitiva real.
Certificações como parte do planejamento estratégico da propriedade
Incorporar a rastreabilidade e as certificações socioambientais ao planejamento estratégico da propriedade permite decisões mais informadas sobre investimentos nessa área, considerando tanto os custos envolvidos quanto os ganhos de mercado esperados. Conforme observa Parajara Moraes Alves Junior, produtores que avaliam essas decisões de forma estruturada costumam obter melhores resultados financeiros.
Em síntese, investir nessa estratégia representa, para o pecuarista brasileiro, um dos caminhos mais promissores para acessar mercados internacionais cada vez mais exigentes em relação à origem e à sustentabilidade da carne produzida. Antecipar-se a essas exigências, em vez de reagir tardiamente, tende a gerar resultados muito mais consistentes e colocar esses produtores à frente daqueles que não o fazem.
