Paulo Roberto Gomes Fernandes, fundador e presidente da Liderroll, tem na atuação internacional da empresa um contato direto com os desafios que a engenharia sísmica impõe à construção de dutos. Países como Irã, Índia, Turquia e alguns territórios da Ásia Central combinam demanda crescente por infraestrutura energética com zonas de alta atividade sísmica, criando um cenário em que as metodologias construtivas convencionais precisam ser substancialmente adaptadas.
O comportamento de gasodutos e oleodutos durante eventos sísmicos é determinado por decisões tomadas ainda na fase de projeto estrutural, e erros nessa etapa raramente podem ser corrigidos sem custos proibitivos após a construção. Acompanhe o artigo até o final para entender mais os elementos técnicos que interferem nesses projetos!
Comportamento dinâmico de dutos sob carregamento sísmico
O carregamento sísmico impõe ao duto um tipo de esforço distinto dos carregamentos estáticos para os quais a maioria das instalações é dimensionada. As ondas sísmicas criam movimentos diferenciais no solo que, em dutos enterrados, se traduzem em forças de tração, compressão e flexão que podem superar a capacidade resistente das juntas soldadas e das conexões. Contudo, a severidade dos efeitos depende do tipo de solo, da profundidade de enterramento, do material do duto e da distância ao epicentro do evento.
Em solos com potencial de liquefação, o risco se amplifica significativamente. A perda de capacidade de suporte do solo durante o evento sísmico pode provocar recalques diferenciais que impõem esforços críticos em trechos do duto. Paulo Roberto Gomes Fernandes aponta que projetos em regiões com esse tipo de solo precisam incorporar medidas específicas de fundação e suportação, além de maior flexibilidade nas conexões entre trechos.
Critérios normativos internacionais
As principais normas internacionais aplicáveis ao projeto sísmico de dutos, incluindo os padrões da American Society of Civil Engineers e da American Lifelines Alliance, estabelecem metodologias para a análise da resposta estrutural de tubulações sob carregamento sísmico. O mapeamento da ameaça sísmica na região do projeto, a caracterização geotécnica do traçado e a definição dos níveis de desempenho esperados para diferentes intensidades de evento são etapas indispensáveis nesse processo.

A partir disso, o dimensionamento estrutural deve verificar tanto a resistência das juntas soldadas quanto a capacidade dos sistemas de ancoragem e suporte de acomodar os deslocamentos impostos durante o evento. Paulo Roberto Gomes Fernandes indica que a experiência da Liderroll em regiões com perfis geotécnicos desafiadores, como os túneis na Serra do Mar, contribuiu para o desenvolvimento de sistemas de suporte com maior capacidade de acomodar movimentos diferenciais.
Soluções construtivas que aumentam a resiliência sísmica dos dutos
Entre as soluções adotadas para aumentar a resiliência sísmica de dutos, destacam-se o emprego de conexões flexíveis em pontos de transição entre solos de características diferentes, a instalação de válvulas de bloqueio automático ativadas por acelerômetros e a adoção de traçados que evitem cruzamentos com falhas geológicas ativas. Nesse sentido, a escolha entre enterramento e instalação aparente também é influenciada pelo contexto sísmico, uma vez que dutos aparentes com suportes que permitem mobilidade controlada podem apresentar comportamento superior em determinados perfis de solo.
Paulo Roberto Gomes Fernandes menciona que a tecnologia de roletes motrizes desenvolvida pela Liderroll, ao permitir a movimentação controlada de colunas de dutos mesmo em condições de acesso restrito, abre possibilidades para a execução de obras em regiões sísmicas com abordagens construtivas que reduzem a exposição das juntas soldadas aos esforços mais severos.
Inspeção pós-evento e protocolo de retorno à operação
Após eventos sísmicos de intensidade significativa, dutos em regiões afetadas precisam ser inspecionados antes do retorno à operação. O protocolo de inspeção pós-evento deve incluir a verificação de deformações visíveis, a análise de pressão ao longo da linha e a avaliação por métodos não destrutivos nas juntas mais expostas.
Paulo Roberto Gomes Fernandes ressalta que sistemas com maior rastreabilidade técnica, incluindo registros detalhados das condições de construção de cada trecho, permitem priorizar os pontos de inspeção de forma mais eficiente após eventos sísmicos, reduzindo o tempo necessário para liberar a retomada segura da operação.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
