Paulo de Matos Junior acompanhou de perto a construção de um dos marcos regulatórios mais aguardados pelo setor financeiro digital: a norma do Banco Central que determina o licenciamento obrigatório das Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais. Empresário com atuação nas áreas de câmbio e intermediação de criptoativos desde 2017, ele percebe na iniciativa uma mudança estrutural que vai muito além do aspecto burocrático, alterando de forma profunda a dinâmica competitiva e a relação do mercado com o investidor.
As PSAVs são as empresas que oferecem serviços relacionados a criptoativos no Brasil, categoria que engloba exchanges, custodiantes, plataformas de negociação e intermediários de ativos digitais. Até a publicação da norma, em novembro de 2025, qualquer empresa poderia operar nesse segmento sem passar por um processo formal de autorização junto ao regulador. A partir de fevereiro de 2026, esse cenário muda de forma definitiva.
O que significa operar com autorização do Banco Central?
Conforme analisa Paulo de Matos Junior, obter a autorização do Banco Central não é apenas um requisito legal, mas um atestado de conformidade que diferencia as empresas no mercado. O processo exige o cumprimento de critérios rigorosos de governança corporativa, transparência operacional, prevenção à lavagem de dinheiro e segregação entre o patrimônio da empresa e os ativos dos clientes.
Nesse contexto, a autorização funciona como um filtro de qualidade que protege tanto o investidor quanto o próprio mercado. Ao exigir que as PSAVs se submetam aos mesmos padrões aplicados a bancos e fintechs, o Banco Central cria um ambiente em que a confiança deixa de ser uma percepção subjetiva e passa a ser respaldada por critérios objetivos e verificáveis.

Os impactos imediatos sobre o setor
Na avaliação de Paulo de Matos Junior, o efeito mais imediato da regulação será a saída do mercado de empresas que não consigam ou não queiram se adequar às novas exigências. Esse movimento de consolidação, embora possa parecer restritivo em um primeiro momento, tende a elevar o padrão geral dos serviços oferecidos ao investidor e a reduzir os riscos sistêmicos associados à operação de plataformas sem supervisão formal.
Em paralelo, espera-se que a autorização do Banco Central funcione como catalisador para a entrada de novos players institucionais no mercado brasileiro. Fundos de investimento, gestoras internacionais e grandes instituições financeiras que aguardavam um marco regulatório claro para alocar recursos no setor de criptoativos passam a contar com um critério objetivo para tomar essa decisão.
A visão de longo prazo para o mercado regulado
Sob a perspectiva de Paulo de Matos Junior, a regulação das PSAVs representa o ponto de partida de um ciclo de maturidade para o mercado de criptoativos no Brasil. À medida que as empresas se adequam às normas e o Banco Central consolida sua atuação como supervisor do setor, a tendência é que o volume de transações cresça, a liquidez aumente e os produtos disponíveis ao investidor se tornem mais sofisticados e diversificados.
O conjunto desses elementos indica que a exigência de autorização formal não é um obstáculo ao crescimento do mercado, mas a condição necessária para que esse crescimento ocorra sobre bases sólidas. Paulo de Matos Junior reforça que mercados regulados atraem mais capital, mais inovação e mais confiança do que ambientes sem supervisão, e que o Brasil tem todas as condições para se tornar uma referência global nesse processo.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
